Há em ti um arremedo de tristeza. Um segredo. Escondido. Não revelado. Um passado nunca esquecido que aposto que se manifesta no escuro quando mais ninguém te vê e que acrescenta em mim a vontade de te agarrar, de te prender, de te hipnotizar, de te fazer festas e de te segredar intolerâncias ao ouvido, antes que descruzes as pernas, dobres o jornal e vás à tua vida. Iluminas, rasgas, aqueces, refinas, prometes, dissolves-me : um degrau lavado, uma lista branca, uma praça fechada sobre nós, a rapina de um bater de asas, uns minutos delicados, um passeio pelo teu corpo enquanto me mexes com a colher contra as paredes da tua chávena. E os dias vão correr melhor.
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